10 Julho, 2006

Eu, Graziela Laden.



Reeditando chavões: Para os dois, três gatos pingados que sentiram a minha ausência (e pra mana) não foi CUncurso que, desta vez, me fez desaparecer com pó de pirilipimpim. Foi um CUrso.

É tão entediante....a geral cogitando aí seqüestro, envolvimento com o tráfico, prostituição.....e eu simplesmente estava fazendo algo que pareço fazer durante toda a minha vida: estudar. Humilhante, eu sei.

O mais legal é que acumulei (mais) uma historinha de ação e aventura. Hum-rum.
Se vou contá-la?
Hummm...... preciso de sangue primeiro. Deixem-me torturar por alguns instantes mais a Jana protótipo bovina e a Mô bovina com master degree, sim?

Eu sou uma pessoa esquisita. Não nego isso por aí. Mas em habitat natural eu sou muito mais. Coisa que eu amo é bactéria. Mas assim, não me contento com pouco. Tem que ser aquelas com capacidade de esporular, patogeniquérrimas e que, de quebra, produzam toxina.
Como o tal curso era de microbiologia, imaginem a surtação da moçoila aqui.
(Visualizem a cena: profe questionando e um daqueles nerds pé-no-saco respondendo a 99.9% das questões. Pois é. Podia sentir no ar a vontade explícita de linxamento público)

Mas assim....eu sou uma chata legal. E, tão logo arranco os óculos fundo de garrafa dos olhos, eu me transformo em algo suportável. (Com direito a cantar Glamurosa no videokê e tudo - sim, neste tudo; inclui-se as performances no palco).

E assim eu vou registrando minhas idas e vindas em CUrsos.
Mas homem é um ser bizarro. E nestes perCURSOS, uns dois, três juraram amor eterno a mim.

Este curso não constituiu uma exceção. Teve o menino com dentes bonitos e o amigo do menino com dentes bonitos (vai ver pensavam em suruba).
Teve também um ser semi-anencéfalo que me escreveu uma poesia (será carma?) em mais uma variação de batatinha quando nasce. Pelo menos ele estilizou a coisa. Auto-intitulando-se como salmonella e solicitando a entrada (ui) neste corpicho para causar-me o maior febrão. (só faltou o desgraçado completar o quadro clínico com a parte do "enterite" da gastroenterite. Lindo.)

Mas o ápice mesmo, se deu com um apaixonado das antigas.
Lá pelos idos de março participei de um curso em Florianópolis e, como reza a tradição: pimba! Mais um ser bizarro se disse loucamente apaixonado.
Curso concluído, perguntou-me quando me veria novamente.
(Hum-rum. Mais um lunático que achou que eu estava com um luminoso verde na testa dizendo : siga rápido!)
Eu me limitei a rir. Porque, às vezes, eu oculto meu lado má.

Daí que ele não participou deste curso de microbiologia. Mais alguns coleguinhas dele sim.
Lá pelas tantas, ele (após dar o rabo pro Diabo pra conseguir meu número) me liga.

- Oiiii. Sabe, me lembrei de você.
- QUÊ? (Sim.Caixa-alta simboliza rispidez)
- Você está em Balneário, no curso né?
- É.
- Eu estou em Blumenau.
- E?
- Queria te ver.
-Então. Geograficamente impossível. Tchau!

tutututututututututututututututututu

Recado ultra-super-duper entendido, certo?

Errado. Ele é um destes espécimes insuperáveis no quesito auto-humilhação.

Dia exaustivo, chego no hotel e me deparo com quem?
O próprio, parado no saguão do hotel.
Foi um momento de oração de agradecimento ao santo dos camelôs pelos óculos black-mosca comprados na véspera.
Dei meia-volta e comecei a correr. Literalmente.
Após uns 15 minutos rodeando a esmo feito peru, liguei para minha colega de quarto.
- Desce no saguão e verifica se fulano assim e assado se encontra lá.
- Está.
Seguiram-se ligações de 3 em 3 minutos:
- Alô...alô...Black mosca para Rapunzel?
- Rapunzel na escuta: Barra limpa.

Voltei para o hotel enquanto pensava cá comigo: Ele viajou para me ver, LOGO....a insistência será árdua. Pouts.

Eu e Rapunzel montamos a operação minhoca rastejante.
Meu celular tocava, ela atendia e contava uma história triste e completamente absurda. Até o momento em que resolvemos deixar aflorar nossa veia artística e ir até o barzinho-queimação-com-videokê da véspera.

Obviamente, como mentira tem perna curta lá estava minhoca rastejante de plantão no saguão.
Rastejou. Se humilhou. Disse que eu era uma pessoa horrível.
Cabeça boa e coração-oco.
Mas que mesmo sabendo disso, ele me amava. Um amor nascido de 15 dias de pseudo-convivência.
E que eu não sabia, mas havia destruído a sua vida. Havia abandonado a noiva, passava noites em claro e se viciara em valium.

Ok. Depois eu é que possuo tendências sado.

E hoje, amiguinhos, aprendemos o que?
Que parte daquelas mensagens auto-ajuda nauseantes de e-mails ,por incrível que pareça, podem possuir um fundinho de verdade.
E neste momento, em algum lugar do mundo, existe um doido varrido que julga te amar desesperadamente. Cuja vida VOCÊ destruiu simplesmente com a sua existência.

Ah, tá. Eu tentei omitir mas já que o momento é de remissão, fui eu que lançei a bomba sobre Hiroshima e Nagasaki. E também atentei contra o papa. E a parte de devolver os corações, após arrancá-los à unha.....er....na verdade, eles estão dispostos em vidros horizontalmente, sobre a minha cabeceira.




postado por Química Insandecida *
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